sábado, 14 de dezembro de 2013

Nelson Mandela: o outro lado feminino.

Nelson Mandela deixa um importante legado para o seu país e para a humanidade. Um legado de que para se conseguir alguma coisa só correndo atrás, só lutando, pois, sem luta, a burguesia não vai dar nada mesmo, pelo contrário, se der mole, eles tiram mais ainda.

Um ótimo exemplo disso foram as medidas de Austeridade Fiscal (mais uma daquelas palavras malditas inventadas pela burguesia para enganar o povo e que significa foder o povo, tirando direitos e dando um pé na bunda dos trabalhadores) adotadas durante a crise europeia a partir de 2008 [ 1 2 ].

Sua luta não foi armada e, justamente por isso, não foi vitoriosa, pois a maioria, o povo, que no caso são, em sua maioria, formadas por negros, não controlam o país, nem os meios de produção, consequentemente, não controlam sequer as riquezas do país e, sim, uma minoria burguesa, que, no caso, são brancos.

Porém, houve, sem sombra de dúvida, conquistas importantes, mas a igualdade e a justiça social continuam e continuarão muito distantes da realidade do povo negro sul africano, se é que algum dia eles conquistarão isso de fato.

Assim como no Brasil, que o povo negro continua, depois de mais de 100 anos do fim da escravidão, discriminado, ganhando menos que o branco, é maioria nas favelas e prisões, além do preconceito sem fim. [ 1 2 3 ]

27 anos na cadeia, tem gente que não vive isso.
Valeu a pena? Você faria o mesmo?

O fim da escravidão no Brasil, ao contrário do que a história conta, não foi por causa da benevolência da princesa e dos brancos. O senhor da fazenda pagava caro pelo escravo. Então, antes de comprá-lo, ele analisava a saúde e a arcada dentária do escravo para diminuir a chance de ter prejuízo no investimento.

É como um fazendeiro comprando um boi ou uma empresa que comprando um veículo utilitário usado. O empresário tem que verificar o estado de conservação, os pneus e estepe, o motor, etc. Se o veículo quebra (no caso, o escravo fica doente) ou for roubado (o escravo foge ou morre) é prejuízo. Mesmo hoje, quando uma empresa contrata um trabalhador, este tem que passar pelo exame admissional, se for jogador de futebol então, a bateria de exames é extensa.

O senhor da fazenda tinha que alimentar os escravos, vacina-los, ter um lugar limpo para eles dormirem e não pegarem doenças, enfim, estando saudável, forte e feliz, ele rende mais. Os escravos durante a folga tinham até lazer, dançavam a capoeira, enfim, os casos de violência eram raros. O fato é que a mídia, através das novelas, documentários e filmes, mostra apenas a violência, pois é o que prende o público que assiste, é a busca pela audiência.

De fato, era raro as fugas e o uso do chicote, pois a maioria era feliz como escravo. Isso pode soar muito estranho para a maioria das pessoas, teríamos que discutir o que é felicidade, tomaria muito tempo, mas, resumindo, é mais ou menos assim: um bebê engatinhando pega uma barata e come, tudo que ele vê, ele quer por na boca e comer, só não vai comer a barata se a mãe der um tapinha na mão dele, ou seja, o tapa representou uma mudança na interpretação de um fato. Só tentava fugir quem adquiria de alguém a noção, o significado do que é escravidão e liberdade.

Tem gente que é feliz trabalhando 8-10-12 horas, seis dias por semana e descansando apenas um, não acha isso escravidão, quando o certo é para cada dia de trabalho um dia de descanso. Quando os trabalhadores adquirirem a noção de qualidade de vida é isso, o que era normal passará a ser escravidão. Algumas profissões, como enfermeiro, trabalham 12 horas num dia e descansam no outro, porém, devido à escravidão da miséria do salário pago, acabam por trabalhar no dia de folga, também, noutro hospital, burlando a lei para ganhar mais, colocando em risco os pacientes, por exemplo, trocando os medicamentos por estarem com sono e exaustos, um circulo vicioso.

Voltando ao período da escravidão, os senhores das fazendas tiveram a ideia de contratar um trabalhador (italianos começaram a vir para o Brasil) por um salário de miséria e "se vira para sobreviver", assim, “libertaram” os caríssimos e improdutivos escravos e, assim, substituíram o medo do chicote pelo produtivo medo do desemprego.

Os negros saíram das fazendas e ficaram, num primeiro momento, do lado de fora. Sem terem para onde irem nem o que fazerem, surgiram as favelas e eles estão lá até hoje, sem apoio governamental nenhum. É mais ou menos assim, o negro saiu da fazenda e o senhor economizou R$ 2.700,00/mês (custo de um presidiário [ 1 ]) e, então, o senhor contratou o italiano ou, até mesmo, o negro de volta por R$ 670,00/mês (salário mínimo [ 1 ]).

Se a escravidão não tivesse acabado, com as leis atuais, seria assim: moradia, vestuário, saúde, educação, lazer e todos os benefícios garantidos pela constituição pagos pelo patrão. Agora ficou claro porque a escravidão acabou. [ 1 ]

Concessão ou Revolução.

Winnie Madikizela-Mandela, esposa de Nelson Mandela entre 1958 e 1996, é uma mulher guerreira, de luta, e, ao contrário do marido que fez um governo de coalizão entre brancos e negros, ela sempre quis o país controlado pela maioria, ou seja, o povo negro. Militante radical e engajada na luta contra a minoria branca dominante, ela, por muitas vezes, recebia mais atenção da mídia do que o marido, por seus atos considerados radicais e extremistas. Há vários filmes sobre sua vida [ 1 ]. Ela se separou de Mandela por discordar dos acordos, leia concessões, que seu marido fazia com os brancos, no ponto de vista dela, concessões e mais concessões que não tinham razão de ser. Os negros são maioria e, independente da raça ou qualquer outra coisa, a vontade da maioria deve prevalecer [ 1 ].

Guardadas as devidas proporções, é claro, é mais ou menos o que a ala radical, que saiu do PT, fala de Lula. Então, a burguesia, inteligentemente, usa essas pessoas que "representam" o povo oprimido, pois vieram deles, para dar a falsa impressão de que vivemos numa democracia e, assim, evitar a perda do controle do poder frente a uma revolução popular. Acabam, então, virando marionetes dos interesses da burguesia.

Quando a sociedade, os governantes e o sistema se mostram incapazes de garantir o bem estar, a dignidade e a qualidade de vida para TODO o seu povo, é chegada a hora da revolução. (leia sobre o direito à revolução clicando aqui).